xuhlis

witch hat atelier: a resenha do mangá que me fez repensar de que lado fica a maldade

o volume 1 de witch hat atelier, de kamome shirahama, segurado na mão diante da estante

eu comecei a ler witch hat atelier faz pouco tempo, numa fase de virada da minha vida em que eu finalmente tinha tempo pra sentar com uma obra e me perder nela. e me perdi mesmo, do volume 1 ao 10, de um jeito que fazia tempo que um mangá não me pegava.

que obra é witch hat atelier

witch hat atelier é um mangá da kamome shirahama que abre com uma das cenas mais bonitas e cruéis que eu já vi: a coco, uma menina comum, filha de costureira, sem querer transforma a própria mãe em pedra ao mexer com uma magia que não devia. nesse mundo, todo mundo acredita que bruxa nasce bruxa, que é um dom de berço. só que a coco descobre que a verdade é outra: magia é desenho. tinta especial, símbolos traçados no papel, e pronto. qualquer um consegue, com as ferramentas certas.

pra tentar salvar a mãe, ela vira aprendiz do qifrey, um bruxo que a acolhe no ateliê dele junto de outras três meninas. e a partir daí a obra vai abrindo, camada por camada, um mundo muito maior e mais complicado do que parecia.

o que me pegou

o coração de witch hat atelier, e o que me fez amar, é uma regra desse mundo: existe uma tal de magia proibida. qualquer feitiço que altere o corpo humano, incluindo curar, é banido. quem chega perto disso tem a memória apagada. o resultado é que tem gente que sofre, que fica com sequelas, que perde alguém, por coisas que a magia poderia resolver. mas é proibido, porque um dia alguém usou esse poder pra machucar.

foi impossível não me revoltar junto com a coco. porque, quando você para pra pensar, não faz o menor sentido. ter poder não é o problema. a maldade não está na magia, está nas pessoas. proibir todo mundo de usar algo que pode ajudar só porque uns poucos usaram pra ferir é punir o inocente pelo erro dos outros. e a obra é genial numa coisa: ela não te entrega essa conclusão de bandeja. você vai descobrindo junto com a coco, no mesmo ritmo que ela, e a ficha cai com muito mais força por isso.

e o mangá te dá rostos pra essa injustiça. tem personagens que ficaram de fora do jeito “certo” de fazer magia, seja por uma condição que os impede de enxergar os símbolos como os outros, seja por uma deficiência que a magia poderia amenizar, se não fosse proibida. é por eles que eu segurei a respiração em vários momentos, e é neles que essa regra fria do mundo ganha nome e dor.

e repara no que a obra faz com um desses meninos: ele tem uma condição que tira as cores da visão dele e deixa o mundo inteiro em tons de prata. e naquele universo a magia depende de distinguir cor, porque as tintas e os ingredientes em pó só se diferenciam por ela. então ele, que até nasceu numa família de bruxos, simplesmente não conseguia fazer magia. a obra não dá um jeito de curar ele. ela faz melhor: ele decora a posição dos potes na prateleira pra saber qual é qual, e vai achando um jeito próprio de fazer magia. a saída dele não é enxergar como os outros, é encontrar outro caminho. eu fechei aquele volume pensando em quanta gente que poderia ser incrível é impedida por uma barreira que nem deveria existir. é triste demais. foi mais ou menos aí que se formou na minha cabeça a ideia que eu levei pro resto da leitura: o problema não é o poder. é o que as pessoas escolhem fazer com ele.

os dez volumes de witch hat atelier enfileirados na estante, com as lombadas numeradas de 1 a 10

a coco enxerga o que os de dentro não veem

tem uma coisa na coco que mexeu comigo mais do que eu esperava de um mangá de bruxa. ela consegue achar saídas que os bruxos criados “dentro das regras” não conseguem, justamente porque ela chegou de fora. o que todo mundo tratava como o jeito único e certo, ela questiona, porque nunca foi ensinada a não questionar.

e eu me vi demais nisso. eu sempre me senti meio de fora, sabe? nunca me encaixei direito nos lugares. e witch hat atelier faz dessas costas voltadas pro “normal” um superpoder, e não um defeito. ver isso desenhado com tanto carinho foi um tipo de acolhimento que eu não esperava encontrar ali.

ninguém ali é só uma coisa

e talvez seja isso o que eu mais admiro nessa obra: ela não tem vilão de desenho animado. os adultos que aplicam aquelas regras duras não são maus, eles estão presos no que aprenderam e no medo do que já viram acontecer. quem quebra a lei nem sempre está errado. e quem sofre nem sempre é inocente. a shirahama insiste em te mostrar o lado de dentro de cada um antes de você conseguir escolher um time.

foi isso que eu levei da leitura, e é o que eu responderia se um amigo perguntasse por que logo esse mangá: ninguém é cem por cento bom nem cem por cento mau. tem gente que vai usar o que tem pensando só em si, e tem gente que vai usar pra cuidar de alguém. o que muda tudo não é o poder, é como a gente escolhe fazer as coisas.

a cena que me quebrou

tem uma cena, mais ou menos no meio da obra, que eu não consigo tirar da cabeça. contar ela aqui estragaria, então deixei escondida logo abaixo. mas o que ela faz eu posso dizer sem estragar nada.

a shirahama pega a coisa mais cruel que ela consegue imaginar e responde com a coisa mais humana que existe: amar, e dar um jeito, mesmo quando todo mundo diz que não tem jeito. não é uma cena de luta. é uma cena de alguém escolhendo cuidar quando cuidar já não deveria ser possível. eu fechei o volume e fiquei um tempo só olhando pro nada.

a partir daqui, os trechos borrados e os blocos fechados são spoiler. o resto do texto funciona sem eles: abre só se não se importar de saber antes.

é a richeh, aquela mais fechada, mais na dela. ela se vê diante do euini, um amigo que a magia proibida transformou numa fera, num lobo escamado, só porque ele tentou proteger alguém. e o que ela faz não é lutar nem ficar chorando parada. ela desenha. junta pedaços de magia que ganhou de pessoas que a amavam, o que o irmão dela deixou e o que o próprio euini tinha dado a ela, e cria um feitiço só pra ele conseguir escapar. um feitiço que ela diz que não conseguiria fazer sozinha, mas que também não existiria sem ela. e aí ela o abraça, ele em forma de lobo. uma criança presa pra sempre num corpo que não é o dela, e a resposta que ela recebe é um abraço.

diário de leitura, volume a volume

⚠️ daqui pra frente eu comento volume por volume, e aí tem spoiler. deixei essa parte fechada de propósito: se você ainda não leu e quer descobrir tudo sozinho, é só seguir em frente que a resenha continua logo abaixo, na parte da arte. se você já leu, ou não se importa, abre aí que eu te conto o que cada volume me fez sentir.

diário volume a volume · clique para abrir

volume 1: o sonho que ela já tinha desistido

a coco morava num vilarejo com a mãe e sonhava em ser bruxa, até engolir aquilo que todo mundo repetia: que magia é coisa de quem já nasce com o dom. ela desistiu. e eu acho que foi aí que esse mangá me pegou pelo colarinho, porque desistir de um sonho por achar que ele não é pra você é uma coisa que eu conheço bem. quando ela vê o qifrey lançar um feitiço e descobre o segredo por trás daquilo, não é só a trama que começa: é a esperança de que talvez nada disso fosse sobre nascer com sorte.

e o que mais me pegou nesse primeiro volume não foi o acidente em si, foi o quanto ele é injusto. a coco descobre que o livro de figuras preferido dela, aquele que ela amava desde criança, era um livro de magia disfarçado. e aí ela faz o que qualquer criança faria: sai testando, empolgada, um feitiço atrás do outro. o último que ela desenha é proibido. o qifrey consegue puxar ela pra fora um segundo antes, e a loja inteira, com a mãe dela do lado de fora, vira pedra.

ela não estava fazendo maldade. estava encantada. e mesmo assim pagou o preço mais alto que existe, por não saber de uma coisa que ninguém nunca tinha contado pra ela. levar essa porrada logo na largada não estava nos meus planos.

volume 2: a cidade dos bruxos e o primeiro susto

agora aluna do qifrey, a coco vai com as outras três até karun, a cidade dos bruxos, atrás de uma varinha. e eu fiquei igual criança nessa parte, querendo entrar em cada loja, olhar cada vitrine, cada tinta. só que a shirahama não deixa você se acomodar na fofura: um bruxo de chapéu esquisito leva as meninas pra uma dimensão estranha, e o passeio vira encontro com um dragão. o recado do volume é claro: esse mundo é lindo e é perigoso, e as duas coisas moram juntas.

volume 3: acusada de algo que ela não fez

esse me deixou com raiva, do jeito bom. numa chuva forte, a coco ajuda a salvar pessoas comuns que caíram no rio, e é justamente por isso que acaba capturada pelo conselho de segurança mágica, acusada de usar magia proibida. quase expulsa do mundo dos bruxos por ter feito o certo.

e o que me revoltou não foi nem o perigo: foi a injustiça. a coco sofre por ignorância. ela não sabia o que estava fazendo, não teve culpa de nada, e mesmo assim trataram ela como se fosse inteiramente errada. é a primeira vez que fica claro que o problema daquele mundo não são os monstros. são as regras, e as pessoas que aplicam elas sem olhar quem está na frente.

e só relendo eu percebi o tamanho do que essa cena planta. um dos menestréis que caem no rio ali é o custas. é esse o menino que ela salva, e é por salvar esse menino que ela quase é expulsa de tudo. quem lê pela primeira vez não faz ideia do peso que aquilo vai ganhar lá na frente. a coco começa a história salvando o custas e vai chegar num ponto em que não vai poder fazer nada por ele. é de arrepiar quando a ficha cai.

volume 4: a vez da agott

aqui o holofote vai pra agott, encarando o segundo teste, aquele que dá o direito de usar magia na frente das pessoas comuns. e é bonito ver a turma inteira indo junto, o qifrey também, torcendo por ela. eu gosto quando uma história para de olhar só pra protagonista e deixa o resto respirar. só que, o tempo todo, os chapéus com aba estão à espreita, e o volume te dá aquela sensação horrível de estar vendo algo bom prestes a ser estragado.

volume 5: o volume que dói

e foi estragado mesmo. durante o teste, o euini é transformado num animal pela magia proibida dos chapéus com aba, que estavam ali pra se aproximar dos aprendizes. e não para por aí: a coco, o qifrey e a tetia acabam cercados pelos moradores de lomonorn, gente que odeia bruxo, com o qifrey gravemente ferido.

no meio de todo esse horror, tem um detalhe pequenininho que eu não esqueci: a coco dá pra eles a magia do olruggio, aquela que deixa as pessoas quentinhas. um feitiço bobo de aquecer, oferecido justo pra quem a odiava. é o tipo de gesto miúdo que eu acho mais bonito do que qualquer batalha, e é por causa dessas coisas que eu amo essa obra.

e repara no que ela faz num lugar decaído, assustador, cheio de gente que a odeia: a saída dela não é força nem esperteza, é conversa cuidadosa. ela chega e fala com carinho com as pessoas. acho que é a passagem que melhor resume quem a coco é.

volume 6: quando os adultos brigam

com o teste interrompido e o qifrey ferido, o grupo segue pro grande auditório acompanhado da lulucy, do conselho de segurança mágica. e o volume vira outra coisa: a tensão sai das crianças e vai pros adultos, pras instituições, pra política de quem manda no que pode e no que não pode. até que aparece o beldarut, um dos três grandes sábios, e propõe refazer o teste. eu gosto de como a obra não trata os adultos como vilões nem como salvadores. eles só estão presos nas próprias regras.

e é mais ou menos daqui que o mundo da obra começa a se abrir de verdade: aparece mais bruxo, aparece mais política, e vai ficando claro que essa separação entre quem pode e quem não pode fazer magia não é lei da natureza. foi decisão de alguém, em algum momento, e continua de pé porque tem gente escolhendo mantê-la assim.

volume 7: a dúvida sobre o professor

as meninas passam com louvor, e o que devia ser comemoração vira um nó. chamada de madrugada pelo beldarut, a coco é convidada a ficar e virar aluna do sábio da instrução. e, no meio disso, ela descobre a relação entre o qifrey e os chapéus com aba.

esse foi o volume em que eu me decepcionei com o qifrey, confesso. você passa seis volumes achando que conhece aquele homem gentil e aí precisa reaprender quem ele é. mas foi também o volume que me fez gostar mais dele, porque me lembrou de uma coisa simples: ninguém é cem por cento bom. as pessoas são humanas, e humanos são assim, cheios de camadas. a coco vai procurar a resposta na torre de livros, e a pergunta que fica não é “ele é bom ou mau”, é “eu continuo aprendendo com ele?”.

volume 8: o custas

depois do teste, a turma volta pro calor do ateliê, e aí o tartah aparece com um convite que eu achei a coisa mais gostosa do mundo: montar uma barraquinha na silver eve, o festival dos bruxos. crianças inventando bugigangas mágicas pra vender numa feira. eu queria morar nesse volume.

só que a shirahama não te deixa só na fofura. pra criar as coisas que vão vender, elas precisam encarar de frente o que a magia é: encantadora, útil e capaz de machucar, tudo ao mesmo tempo. e é no meio dessa preparação que a coco reencontra o custas, agora convencido de que a sorte nunca mais vai sorrir pra ele.

esse foi o volume que mais doeu até aqui. o custas é incrível, mas ele sofre de um jeito que a magia poderia aliviar e não pode, porque curar é proibido. e o que me pegou não foi só a dor dele: foi ver a coco sentindo a dor de não poder ajudar. ela fica dividida, começa a se culpar, e eu achei lindo e cruel ao mesmo tempo acompanhar esses sentimentos conflitantes nela. é a obra te obrigando a encarar que a regra tem um custo com nome e rosto.

volume 9: a festa e a raiva

com as bugigangas prontas, todo mundo enfim chega em ezrest pro silver eve. as ruas de pedra da cidade da coroa cheias de tendas coloridas, gente vinda de todo canto, reencontros. e ali, no mesmo lugar, se cruzam bruxos, a realeza, o conselho de segurança mágica e os três sábios, cada um com as próprias intenções guardadas no bolso. eu adoro quando uma obra usa uma festa pra armar tensão, porque luz forte também atrai quem não foi convidado.

e é aqui que entra a ininia, uma bruxa dos chapéus com aba que se aproxima do custas com a única coisa que ele mais queria ouvir no mundo: que a magia proibida podia dar pernas pra ele voltar a andar.

e aí veio o baque. o custas reaparece com raiva, virado contra a coco e o tartah, acusando os dois de terem escondido dele justo a magia que podia devolver as pernas dele. e o que faz doer não é a briga em si: é que, do outro lado, os dois passaram esse tempo todo se culpando pelo que aconteceu com ele. carregando aquilo caladinhos. ver alguém descontar justamente em quem já estava se punindo em silêncio é uma das coisas mais tristes que eu li ultimamente. e não dá pra odiar o custas por isso, porque a raiva dele também tem razão de existir. é aí que a obra é cruel do jeito bom: ninguém ali está sendo vilão, todo mundo está sendo gente machucada.

volume 10: o preço de manter alguém aqui

e o décimo me deixou com um nó que eu não sei desfazer. a coco e o tartah descobrem uma marca de magia proibida no peito de um dos personagens, uma magia que mexe com o tempo. sem entregar o que é, o que ela faz é condenar essa pessoa a reviver o pior dia da vida dela, de novo e de novo, como o preço de continuar aqui. eu li aquilo e fiquei pensando no tanto de gente que faz exatamente isso, que aceita reviver a própria dor todo dia pra não perder alguém.

e aí o volume fecha do jeito mais cruel possível: a coco, desesperada, sem conseguir desenhar mais nada. a menina que descobriu que magia é desenho, travada justamente no traço. e com a consciência de que precisa dar um jeito de participar do desfile pra tentar salvar essa pessoa. não dá pra fechar o volume 10 e ir dormir em paz, e eu digo isso como elogio.

página dupla de witch hat atelier com as silhuetas das bruxas olhando uma chuva de estrelas cadentes

e a arte, meu deus

eu preciso parar pra falar da arte, porque é de cair o queixo. a kamome shirahama desenha cada página como se fosse uma ilustração pra emoldurar: os chapéus, as roupas, os cenários, os feitiços que se abrem em flores geométricas no ar. tem muita gente comparando com o studio ghibli, e faz sentido, é aquele tipo de beleza que te faz parar de ler só pra olhar.

e o anime de witch hat atelier, vale?

eu assisti a primeira temporada inteira do anime, então dá pra responder isso com alguma propriedade: vale, e é lindo. ver aqueles feitiços se desenhando em movimento, com cor e som, é uma experiência que o papel não tem como te dar. e a adaptação respeita o tom da obra, aquela calma que não tem pressa de te entregar nada.

mas se você me perguntar por onde começar, eu diria assim: se você quer ser conquistado pela beleza e não tem paciência pra começar do zero, comece pelo anime. se você quer sentir a obra no detalhe, com o traço da shirahama parado na sua frente pelo tempo que você quiser, comece pelo mangá. eu fiz os dois e não me arrependo de nenhum, mas o mangá é o que eu levaria pra uma ilha deserta.

afinal, vale a pena ler witch hat atelier?

vale muito, e é um dos pouquíssimos que eu daria nota cheia sem titubear. mas deixa eu ser justo com você antes de entrar: se o que você procura é um mangá de porrada, de batalha atrás de batalha, esse não é. witch hat atelier é mais lento, mais bonito, mais interessado em construir um mundo e uma pergunta moral do que em te dar adrenalina. agora, se você curte fantasia feita com cuidado, arte deslumbrante e uma história que te faz pensar sobre justiça, sobre quem decide o que é certo, e sobre a sensação de se sentir de fora, ele vai te ganhar. me ganhou inteiro.

um aviso pequeno, com carinho: apesar da capa fofa, witch hat atelier tem um lado bem sombrio. a magia proibida rende cenas pesadas, quase de terror, e a obra não foge de temas duros como deficiência, exclusão e manipulação. nada disso é gratuito, é tudo a serviço da história, mas vale saber antes de abrir achando que vai ser só fofura.

e se você gosta de histórias sobre se sentir perdido e sobre procurar um lugar que caiba na gente, o a biblioteca da meia-noite que eu resenhei aqui caminha por um lugar parecido, de outro jeito.

alguns links deste post são de afiliado; só indico o que eu uso e leio de verdade.

witch hat atelier · vol. 1 · kamome shirahama witch hat atelier · vol. 1 · kamome shirahama o mangá que me lembrou que a maldade não está no poder, está nas escolhas. e que a arte mais linda pode carregar as perguntas mais duras. um dos que mais me marcaram. ver na amazon →

o que ficou

witch hat atelier me pegou numa fase de virada, com tempo pra respirar e olhar pra vida, e me deixou com uma ideia simples que eu precisava ouvir: a maldade não está no poder, nem em ser diferente. ela está nas escolhas. e ser a pessoa que enxerga de fora, que nunca se encaixou direito, pode ser justamente o que te faz achar a saída que ninguém mais viu. faz tempo que um mangá não me dava tanta esperança sendo tão bonito.

do que se trata witch hat atelier?

é a história da coco, uma menina que descobre que magia não é um dom de nascença, e sim algo que se desenha. depois de transformar a mãe em pedra sem querer, ela vira aprendiz de bruxa. no fundo, é uma obra sobre justiça, sobre quem decide o que é permitido, e sobre pertencer.

witch hat atelier vale a pena?

pra mim, sem dúvida (dei nota 5). é fantasia com uma arte deslumbrante e uma história que faz pensar. só não espere um mangá de ação frenética.

witch hat atelier tem ação ou é mais lento?

é mais lento e contemplativo. tem tensão e momentos pesados, mas o foco é o mundo, os personagens e o dilema moral, não a luta.

é melhor começar pelo mangá ou pelo anime?

eu fiz os dois: li até o volume 10 e assisti a primeira temporada inteira. se você quer ser conquistado rápido pela beleza, comece pelo anime; se quer sentir a obra no detalhe e no tempo da página, comece pelo mangá. pra mim o mangá é a experiência maior, mas o anime é uma porta de entrada honesta.

o anime de witch hat atelier é bom?

é lindo e respeita o tom calmo da obra. ver os feitiços sendo desenhados em movimento, com cor e som, é algo que o papel não consegue entregar.

quantos volumes tem witch hat atelier?

é uma obra em andamento; eu li e resenhei aqui até o volume 10. vou atualizando conforme leio os próximos.

witch hat atelier é uma obra pesada?

apesar da aparência fofa, tem um lado sombrio (cenas quase de terror ligadas à magia proibida e temas de exclusão e deficiência). recomendo com esse aviso carinhoso.

quem é kamome shirahama?

a autora e ilustradora japonesa da obra, conhecida pela arte minuciosa, já comparada à do studio ghibli e premiada no japão.

witch hat atelier tem spoiler nesta resenha?

a parte de cima é livre de spoiler. o diário volume a volume e a cena que eu destaquei estão escondidos atrás de um clique, então dá pra ler tudo sem estragar nada.

escrito por xuhlis

escrevo sobre livros, animes, doramas, tudo que eu consumo, saúde mental e a arte de romantizar o simples. apaixonado por leitura, amante de chá e pai de 8 gatos em são paulo.

deixe um comentário

seu e-mail não vai aparecer. só quero saber o que você achou.